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sábado, 16 de novembro de 2024

Convolvulaceae

 Convolvulaceae

De plantas daninhas, alimentícias, e até mesmo recreativas


    Convolvulaceae compõe uma família a qual possui distribuição cosmopolita, incluindo aproximadamente 50 gêneros e 12000 espécies. No Brasil ocorrem 18 gêneros e cerca de 300 espécies.
A planta mais conhecida da família é a batata-doce, pertencente ao gênero Ipomoea, o qual também possui diversas espécies utilizadas ornamentalmente, como as glórias-da-manhã. A família é um grupo monofilético, e irmã das Solanaceae, como podemos ver na imagem abaixo:

Filogenia das Solanaceae e Convolvulaceae.
Fonte: Wikimedia Commons



Flor típica das Convolvulaceae.
Ipomoea purpurea (Glória-da-manhã)
Foto de autoria própria.

   Antes de falarmos da sua importância econômica, medicinal, recreativa e religiosa, é importante conhecer as características básicas da família, após isto, ficará extremamente fácil reconhecer uma convolvulácea:
  • Látex geralmente presente;
  • Pétalas dobradas e torcidas antes de abrir;
  • Fruto é seco, geralmente uma cápsula com poucas sementes;
  • Geralmente são trepadeiras (mas não possuem estrutura fixadoras, como as gavinhas comuns em maracujás,  por exemplo), também podem ser ervas, ou mesmo arbustos;
  • Suas folhas são geralmente alternadas entre si;
  • Sua inflorescência é cimosa, ou seja, a flor terminal, do ápice,  é a primeira a se abrir;
  • Suas flores são geralmente vistosas, geralmente muito similares as demais convolvuláceas, com cores bem chamativas, variando do azul ao rosa, algumas sendo brancas (geralmente se abrem a noite);
  • Nas flores, também, é comum os estames estarem em alturas diferentes.
    Economicamente, a batata-doce é uma das culturas mais importante mundialmente; também, ornamentalmente, é uma das plantas mais cultivadas, principalmente pela sua grande variedade de cores em suas flores, principalmente no gênero Ipomoea, mas também temos a azulzinha (Evolvulus glomeratus) e gota-de-orvalho (Evolvulus pusillus).

    Sendo um táxon menor, as convolvuláceas têm menos espécies com valor econômico, porém, é uma família bastante omnipresente na natureza ainda assim, principalmente com plantas daninhas, especialmente trepadeiras, que são maioria dentro da família. 

    No Brasil temos bastantes exemplares, como o Yôsai, Velame-trepador, Jitirana, Corda-de-viola, Batata-da-Praia, Glória-da-manhã, Lençol-branco, Algodão-bravo, dentre outras. Dentre estas, o gênero Ipomoea sem dúvidas é o mais presente, principalmente por sua diversidade, sendo o maior gênero dentro da família. Aqui estão algumas plantas que eu fotografei:



Salsa-brava
(Ipomoea asarifolia)
Jitirana
(Distimake aegyptius)


    Ambas (Jitirana e Salsa-brava) são plantas bastante comum aqui no nordeste, sendo que seus nomes populares não estão associados à somente uma espécie, mas à várias espécies da família que aparentam ser semelhantes em hábito e aparência.

   








Trepadeira-elefante (Argyreia Nervosa)
Algodão-bravo (Ipomoea carnea)

    As glórias-da-manhã são bastante utilizadas ornamentalmente, mas também é muito comum ver o algodão-bravo ser cultivado em jardins, devido suas grandes flores e seu hábito arbustivo, facilitando seu manejo. A trepadeira-elefante é menos comum, sendo uma espécie introduzida, sendo utilizada pelo seu valor ornamental e psicoativo.






    
    Quanto aos seus outros usos menos conhecidos, temos o uso tradicional religioso, praticado por nativos das américas principalmente. Algumas espécies  que possuem compostos ergólicos (LSA), os quais possuem estrutura similar ao LSD, eram utilizadas na medicina tradicional e em rituais religiosos por nativos, no entanto, recentemente esse conhecimentos se espalhou e muitas pessoas começaram a utilizar estas plantas de forma recreativa. Algumas espécies conhecidas por possuírem esses compostos são: Argyreia Nervosa (Trepadeira-elefante); Ipomoea Tricolor, Violacea e Corymbosa (Glórias-da-manhã).

    Por fim, encerro esse post dando meus agradecimentos a você que leu até o final, espero que tenham aprendido alguma coisa e, que pelo menos batam o olho para uma trepadeira e saibam dizer se ela é uma convolvulácea ou não. Até mais!
  

Referências:

  1. OKEREKE, C. N.; IROKA, F. C.; CHUKWUMA, M. O. Assessing the morphological and taxonomic characteristics of some members of Convolvulaceae family. 2014.
  2. SMITH, N. et al. (EDS.). Flowering plants of the neotropics. Princeton, NJ, USA: Princeton University Press, 2003.
  3. SIBBR. SiBBr - Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. Disponível em: <https://sibbr.gov.br/>. Acesso em: 16 nov. 2024.
  4. WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Convolvulaceae. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Convolvulaceae&oldid=1251590307>.

Convolvulaceae

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